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quinta-feira, 19 de abril de 2012

O TEMPO SULCADO EM VINIL



Acho que a história da nossa vida pode ser contada de várias maneiras. Pelos amores vividos, pelas conquistas realizadas, ou, às vezes, pelas músicas que ouvimos ou que aprendemos a gostar. 

Outro dia fui visitar a casa de minha mãe, (e é claro, nunca deixa de ser um pouco nossa casa), e encontrei muito bem guardado em um armário da sala, meus velhos discos de vinil. 

Pude então perceber que meus gostos musicais sempre foram bem diversificados, como ainda são hoje. 

Estão lá alguns clássicos como Janis Joplin com “Mercedes Benz” e “Cry Baby”; “Imagine” de John Lennon; o álbum duplo do Pink Floyd “The Wall”; U2 “Red Under a Blood Sky”, com o hino “Sunday Bloody Sunday”, entre mais alguns eminentes representantes do Rock. 

Nacionais, encontrei Raul Seixas; Cazuza com o hit “Exagerado”; RPM (aquele ao vivo remasterizado), um dos primeiros do Pára-Lamas (Cinema Mudo), e é claro, como fã de carteirinha que ainda sou, todos os LPS do Legião Urbana até o “Descobrimento do Brasil”, já que depois entramos na era dos CD´s. 

MPB ainda não era muito minha praia, gosto que adquiri já na era dos CD´s, mas estão lá um do Chico Buarque, um do Gilberto Gil, Oswaldo Montenegro e é claro, Caetano Veloso. 

Me surpreendi com discos mais technos, muito embora hoje já não são muito minha preferência. Mas ainda são famosos, e recordaram a época de “baladas” daquela época. 

Sim, eu curtia Alphaville, Pet Shop Boys, New Order, Depeche Mode, Tecnotronich entre outras house. 

Lembro agora da fase infantil: Balão Mágico, Arca de Noé (em homenagem a Vinícius), Plunct Plact Zum, que não estavam na coletânea, pois há muito tempo havia presenteado a minha irmã mais nova. Com estes dois últimos, conheci nomes como Raul Seixas, Eduardo Dusek, e ícones da MPB como Roupa Nova e Toquinho. 

Mas o primeiro LP que marcou a transição da fase infantil para a adolescência, foi Madonna “True Blue”, com o sucesso “Papa don’t Preach”, mas que infelizmente não sobreviveu a um grave acidente que o inutilizou, restando apenas a capa e o encarte. 

A diva do POP era, então, mais nova, sem músculos, e a gurizada toda venerava. 

Tem também o disco de George Michael, com os hits, “Faith” (nome do disco), “Father Figure” e “One More Try”, sendo que estas últimas duas lembram uma menina que, costuma cantar no meu ouvido, enquanto dançavamos

Outros nomes estavam lá: Joe Coker, UB40, Jimmy Cliff, Chicago, Briam Adams, George Harrison, Midnigth Oil, Morrisey, Crowded House, Cindy Lauper, Enigma, e outros tantos que agora me escapam da memória. 

Ainda três discos nativistas marcam a coletânea: Leonardo, com musicas como “Céu, sol, sul” e “Morocha não”; Canto Livre com a participação de Renato Borgheti em “Esse gaiteiro”; e um disco de uma das edições da Califórnia da Canção Nativa. 

Nem citei algumas seleções de sucessos (tipo Super Hits), e que também marcaram época. 

Importante lembrar que costumávamos gravar fitas K7 (também itens de museu), com seleções de tudo de bom que rolava, ou, ainda, sempre que alguém comprava um novo disco, no dia seguinte lá estavam os amigos para gravar em fita K7. 

A pirataria, portanto, era muito mais limitada do que a vastidão de downloads que a internet hoje proporciona. 

Aliás, comprar um disco de vinil não era coisa muito mais fácil do que ter hoje um bom lançamento de cd (original, é claro). 

Era coisa de se comprar um a cada dois ou três meses, e eram sempre uma boa pedida para o Natal e Aniversário. 

Impressionante que, mesmo escutando eventualmente estas músicas, em rádios ou festas, o fato de ver aqueles LPs, seus amassados, o pó que se acumula, trouxe uma sensação diferente. 

É uma pena que não pude escutá-los, pois, o velho prato do toca discos está há muito sem agulha. 

Mas foi muito bom ver aquelas capas, sentir o cheiro cartonado, tirar aqueles bolachões e sentir nas mãos a sensação de um tempo que passou e que não volta mais, (velho chavão saudosista), mas com certeza, ainda faz parte da pessoa que sou. 


MRK